"A música é um exercício inconsciente de cálculos." Leibniz

Mostrando postagens com marcador Bom regresso às aulas...A MENINA MATEMÁTICA NA ESCOLA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bom regresso às aulas...A MENINA MATEMÁTICA NA ESCOLA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Bom regresso às aulas...A MENINA MATEMÁTICA NA ESCOLA






Já estão no 6º ano, desejo  a todos um excelente um ano lectivo...












A MENINA MATEMÁTICA NA ESCOLA

texto: Beatriz  Melo
 ilustração: Mário  Araújo

Era um dia especial. Era o primeiro dia de escola da menina Matemática.
Quando acordou, saltou da cama e foi escolher a roupa para aquele dia.
− O que vou vestir hoje? Um quadrado ou um rectângulo? Um triângulo ou
um número decimal? − perguntou a menina matemática, muito confusa.
− E que tal um dois? Esse é o meu número da sorte! − sugeriu a calculadora.
− Não, um sete! − reclamou o transferidor.
− Por que não um 2,7? − retorquiu o compasso.
De repente, ouviu-se um barulho vindo do pulso da menina Matemática.
− São quase oito horas e trinta minutos. Despacha-te… − avisaram o oito e o
seis do relógio, num coro desafinado.
A menina Matemática vestiu uma fracção, uma proporção e calçou dois ângulos
agudos. Colocou um mais e um menos na mochila, comeu uma sandes de
dezassete com vinte e um e meteu-se dentro da pasta de um professor.
Quando chegou, viu muitos meninos e meninas que vieram cumprimentar o
professor. Estava tão fascinada, que até se assustou com a campainha da escola.
− Agora vou para a sala quinze! − disse o professor para uma colega.
O número quinze, que estava gravado na porta, murmurou para a menina
Matemática:
− Boa sorte!
A menina Matemática sorriu, mas logo que entrou na sala de aula encheu-se
de vergonha.

O professor apresentou-se:
− O meu nome é Luís e sou o vosso professor de Matemática. Hoje vou ensinar-
vos como se adicionam e se subtraem fracções.
Quando ouviu isto, a menina Matemática saiu, muito coradinha, da pasta do
professor e deu um pulo para o quadro. Apareceram números, sinais e contas.
A menina Matemática olhou discretamente para os alunos e reparou no seu
olhar aborrecido. Ficou tão tristinha, a menina Matemática!
De repente, ouviu-se novamente a campainha. A aula chegara ao fim.
− Como foi? − perguntou o quinze, muito curioso.
− Muito mal − respondeu a menina Matemática com o oito no canto do olho.
− Por que é que estás a chorar? − perguntou o portátil, novinho em folha,
que estava também dentro da pasta.
− Os alunos não gostam de me aprender! − respondeu a menina Matemática
− Bocejaram e quase adormeceram durante a aula.
− Mas porquê? Tu és tão divertida! − elogiou o livro de matemática.
Antes de ir para casa, a menina Matemática passou pelo Continúmero para
comprar mais uns dezassetes e vinte e uns para o pequeno-almoço.
Quando chegou a casa foi tomar um duche rápido e deitou-se no seu confortável
ângulo obtuso. Antes de dormir ainda telefonou aos seus números primos
para desabafar:
− Foi só o primeiro dia e já estou assim? Não pode ser! Amanhã pensarei
numa solução para resolver este problema. − afirmou, despedindo-se.
No dia seguinte, acordou muito bem-disposta e com a cabeça cheia de
números racionais. Então, decidiu mudar o seu visual: vestiu uma proporção
e uma semi-recta, colocou um sinal de multiplicar na cabeça e calçou os seus
confortáveis ângulos rectos. Depois, encheu a carteira de números, sinais de
mais, de menos, de multiplicar, de dividir, de igual, parênteses, ângulos, formas
geométricas… levava tudo o que precisava.
Quando entrou na sala quinze, ganhou coragem e correu energeticamente para o quadro. Então, saltaram da sua carteira os números, os sinais, os parênteses…
que se organizaram numa animada dança, formando as mais variadas operações,
resolvendo os mais complicados problemas, dando sempre resultados
certíssimos.
A partir desse dia, a menina Matemática deixou de ver aborrecimento nos
olhos dos alunos, que aprenderam a brincar consigo e a gostar da sua companhia.
A prova disso é que a menina Matemática e os alunos dessa turma se juntam
todos os dias, para tomar um cocktail de algarismos e resolver os seus problemas,
na esplanada do bar Tabuada, que fica na página trinta e cinco de um caderno de
exercícios de matemática.